Meios de pagamento em lojas virtuais – parte 3/4

Este tutorial é destinado a apresentar os principais pontos no que se refere aos meios de pagamento em uma loja virtual e está dividido em quatro partes. Você também pode buscar outros artigos sobre meios de pagamento aqui no blog.

Você já viu a importância dos meios de pagamento e como eles devem ser pensados, conforme a perspectiva do cliente e a necessidade de manter a saúde do fluxo de caixa da empresa. Agora é hora de pensar na contratação dos meios de pagamento e como eles podem ser implantados em sua loja virtual.

5) Contratação dos meios de pagamento

ganhando dinheiro com Magento - imagem: John Lund/Blend ImagesCada método de pagamento tem suas particularidades, sua forma específica de ser contratado. Ainda que você não tenha uma empresa formalmente aberta – o que eu não recomendo, pois você terá menos credibilidade junto a seu cliente e poderá ter problemas com o governo -, alguns meios permitem que você receba seus pagamentos com uma conta feita como pessoa física. Vamos do mais simples ao mais complicado:

  • pagamento na entrega – não é preciso nada, uma vez que o cliente pagará em dinheiro ou cheque no ato da entrega. Para isso, basta garantir que o entregador tenha troco para retornar ao cliente, se necessário, e que um recibo possa ser entregue. Se os pagamentos forem feitos em cheque (sim, ainda tem gente que usa o talão de cheques), você deverá depositá-los e pronto. Lembre-se que, normalmente essa será uma das formas menos utilizadas por seus consumidores.
  • transferência ou depósito bancário – você precisa, obviamente, ter uma conta em uma instituição financeira. Essa conta pode ser uma conta corrente ou uma conta poupança, permitindo que seus clientes possam fazer depósitos nela. Para abrir uma conta, você deve atender aos requisitos do banco desejado e é claro, pagar pelos serviços. Lembre-se que contas correntes para pessoas jurídicas custam mais caro que para pessoas físicas e envolvem verificações em um processo mais burocrático. Quando você tiver o CNPJ, já pode procurar sua agência e iniciar o processo. Se você for trabalhar com conta corrente ou poupança em nome da pessoa física, lembre-se de que isso pode gerar um desconforto no cliente e conforme sua movimentação, problemas com a Receita.
  • boleto bancário via banco – você deve ter uma conta corrente na instituição desejada e obter a aprovação para a liberação da emissão do boleto bancário. Conforme seu relacionamento, diversas carteiras podem estar disponíveis, com as mais diferentes tarifas, e isso mudará bastante nos próximos meses, por conta da obrigatoriedade do boleto com registro. Esse processo pode demorar um pouco, então é interessante que ao abrir a conta corrente (ou algumas semanas antes de lançar a loja virtual), você já converse com seu gerente sobre isso. Algumas instituições verificam o funcionamento do boleto, antes de liberá-lo definitivamente.
  • boleto bancário via facilitador – normalmente não é necessário fazer nada além de abrir a conta no facilitador.
  • facilitadores de pagamento – a abertura de uma conta em um facilitador é liberada para pessoas físicas ou jurídicas e você deve ter em mente que a única forma de retirar esse dinheiro normalmente é para uma conta corrente em nome do titular. O processo costuma ser rápido. Basta preencher os dados no site do facilitador desejado, escanear alguns documentos (RG, CPF, comprovante de endereço, CNPJ se tiver) e confirmar a conta corrente e, às vezes, um cartão de crédito. Além disso, no momento em que a conta é criada, você já pode receber dinheiro, até determinado limite (que é ampliado depois das confirmações dos dados).
  • processadores de cartões – reservados a pessoas jurídicas, você pode obter todas as informações necessárias com seu gerente bancário. Será preciso enviar os documentos e definir quais limites e métodos de pagamento estarão disponíveis.

6) Implantação na loja virtual

Depois que você estiver com todos os contratos assinados e/ou contas confirmadas e liberadas para uso, é hora de instalar e configurar os meios de pagamento em sua loja virtual. A instalação dos módulos de integração de sua loja com os meios de pagamento é um trabalho para desenvolvedores e técnicos que mantém sua loja virtual funcionando.

O primeiro passo é checar se o meio de pagamento possui um módulo oficial para a plataforma que você usa. Por exemplo, se você quer utilizar o PagSeguro e sua loja virtual é montada sobre a plataforma PrestaShop, é preciso verificar se o PagSeguro oferece módulo oficial para o PrestaShop.

Essas informações devem estar no site do próprio meio de pagamento, em uma seção normalmente chamada Desenvolvedor ou Integração. Se o módulo oficial existe, basta obter os arquivos e colocar na instalação de testes de sua loja.

Reforço: isso é trabalho para técnicos e não deve ser feito por quem não conhece, a menos que você não se importe de correr o risco de deixar sua loja do ar e depois ter de pagar um técnico para corrigir o problema.

Se o meio de pagamento não possui um módulo oficial, é preciso fazer uma busca por módulos desenvolvidos por terceiros, podendo ser gratuitos ou pagos. Localizado esse módulo, é  preciso instalá-lo e testá-lo. Provavelmente você terá que repetir o processo para cada empresa que você integrará.

Com o módulo instalado, você pode configurá-lo, isto é, informar os dados de sua conta no método de pagamento e definir quais formas estarão disponíveis para os clientes e como elas se comportarão. Por exemplo:

  • informar os dados para depósito bancário, que será exibido para o cliente após a confirmação do pedido e também enviado por e-mail.
  • habilitar o boleto, escolher o banco e informar dados como CNPJ, razão social, dados bancários, textos informativos, prazo para vencimento.
  • informar os dados de conexão ao facilitador de pagamento, como e-mail ou login, senha e token, um código único gerado no painel do facilitador, além de determinar que meios de pagamento serão aceitos e quais as condições.
  • informar os dados de conexão ao processador de pagamentos, da mesma forma como no módulo do facilitador.

Todo esse processo deve ser feito primeiramente em um ambiente de testes ou antes da loja ser lançada. Estando tudo configurado, você deve testar – mais de uma vez – para garantir que tudo esteja funcionando. Na hora de colocar a loja no ar, basta copiar os arquivos para o ambiente de produção e começar a vender.

Meios de Pagamento em lojas virtuais – parte 2/4

Este tutorial é destinado a apresentar os principais pontos no que se refere aos meios de pagamento em uma loja virtual e está dividido em quatro partes. Você também pode buscar outros artigos sobre meios de pagamento aqui no blog.

Depois de termos visto o básico sobre meios de pagamento, é hora de irmos um pouco além na escolha dos métodos e em como utilizar sabiamente os prazos para recebimento, de modo a prevenir rombos em seu fluxo de caixa.

3) Métodos a oferecer a seus clientes

teclado e e-commerce - imagem: Jonathan Kitchen/Digital VisionComo falei no primeiro artigo dessa tutorial sobre meios de pagamento em lojas virtuais, você deve sempre começar a escolha dos métodos de pagamento a serem oferecidos olhando com a perspectiva do cliente. Isso significa que a primeira seleção de quais formas você vai oferecer deve ser feita sob a ótica do consumidor. Coloque-se no lugar de seu cliente e procure responder a essas perguntas:

  • Tenho familiaridade com a internet? Confio nas lojas virtuais e entendo que a internet é um lugar seguro, se eu tiver um mínimo de cuidado?
  • Estou acostumado a avaliar itens de segurança como o cadeado na barra do navegador, uma conexão SSL/HTTPS ou selos de segurança no rodapé do site?
  • Faço parte de um grupo que costuma utilizar cartões de crédito em minhas compras?
  • Minha classe social permite comprar produtos de maior valor à vista ou em no máximo três parcelas? Ou por outra: minha renda comporta parcelas maiores ou preciso comprar produtos em parcelamentos longos? Se sim, qual o número de parcelas necessárias?
  • Resido em uma região do país que utiliza métodos de pagamento muito particulares? Por exemplo, o cartão Banricompras no Rio Grande do Sul ou o Hipercard, no Nordeste do Brasil?
  • Tenho o hábito de comprar meus produtos pagando com boleto bancário?
  • Estou acostumado a pagar com facilitadores de pagamento, o que me faz reconhecer e acreditar em nomes como PagSeguro, Mercado Pago, PayPal, etc?

E assim por diante. É preciso entender quais são os métodos de pagamento preferidos por seus clientes e qual a sua disponibilidade de caixa. Se seus clientes não têm cartão de crédito, é preciso oferecer formas de pagamento como o boleto, depósito em conta ou pagamento na entrega. Nessa escolha, o parcelamento não é possível, o que indica que eles devem poder pagar por seus produtos à vista.

Se seu público vai pagar com cartão de crédito, é preciso também pensar em sua capacidade de pagamento. O maior problema que tenho encontrado não é o de não saber usar o cartão ou as fraudes e sim compras recusadas por falta de crédito. Os clientes têm sérias dificuldades em entender como funciona o limite de crédito e de saberem quanto ainda têm de dinheiro disponível. Faça uma análise do perfil de seu público e de quanto seria seu limite médio e confronte com seu tíquete médio e com o valor das parcelas.

Feita essa análise, o ideal é tentar montar um mix de opções. Se sua empresa está começando, uma possibilidade é:

  • Transferência e Depósito Bancário, em um dos grandes bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Caixa, Banco do Brasil) – você não precisa ter conta em cada um desses, mas em ao menos um. Outra dica é ter uma conta na Caixa, pois seu cliente poderá depositar o dinheiro em qualquer agência lotérica.
  • Boleto Bancário – apenas do banco onde você tem conta. Um detalhe importante é que a partir do início de 2017, todos os boletos deverão ser registrados, o que tem trazido problemas em relação à integração com as plataformas de lojas virtuais, além do maior custo. Confronte o valor cobrado por seu banco com aquele cobrado pelos facilitadores.
  • Um facilitador de pagamento, onde você possa oferecer a maioria dos cartões de crédito e também cartões de débito. Faça uma pesquisa entre eles, avalie as taxas e procure negociar conforme o volume de vendas esperado. A concorrência tem feito grande bem aos lojistas.

Se sua empresa já é um pouco maior, você pode abrir uma conta em empresas de processamento de pagamentos de cartões de crédito, como a Cielo e a Rede (entre outras opções menores). Dessa forma, você faz a cobrança diretamente, sem passar pelos facilitadores.

Uma dica que dou é que ainda que você faça a conexão direta com as empresas de processamento, mantenha sempre uma conta em um facilitador, configurada e ativa. O grande motivo disso é que se houver qualquer problema com os seus meios de pagamento principais (seja o cartão, seja o boleto, você consegue rapidamente ativar essa conta e seguir recebendo seus pagamentos normalmente (ainda que o custo por transação seja maior). É sempre melhor pagar um pouco mais caro pelos pagamentos por um curto período do que não vender nada!

Nos casos em que você faça entregas expressas, aquelas feitas com motoboys ou bikers, normalmente em sua cidade, você pode dar a opção de Pagamento na Entrega. A logística dessa opção é simples, normalmente as plataformas de lojas virtuais já trazem essa possibilidade e o cliente paga diretamente ao entregador.

Existem outras opções que vem surgindo, como pagar com moeda virtual ou usar uma empresa intermediária, que garante a venda e emite um boleto para o cliente, que é pago depois que o produto for recebido. Você pode avaliar essas opções e pensar em se é viável e como implementá-las em seu negócio.

4) Programação financeira

Não basta olhar o lado do cliente e criar grandes problemas para a saúde financeira de sua empresa. Cada uma das opções comentadas no tópico anterior tem custos diferentes e prazos de recebimento diferentes. Essas variáveis precisam estar presentes em seu planejamento de modo a garantir que seu fluxo de caixa não seja prejudicado.

Apenas para refrescar a mente dos empreendedores iniciantes, o fluxo de caixa é um dos elementos mais importantes na gestão de uma empresa. É o resultante do saldo inicial MAIS tudo que entra MENOS tudo que sai. Você tem um saldo inicial que pode ser o valor no primeiro dia do mês ou da semana. Pode ser também o capital social, o valor que você tirou de seu bolso para colocar em sua empresa.

Se você fizer muitas vendas com prazos de recebimento longos significa que seu cliente demorará para pagar sua empresa (ou que as operadoras demorarão para repassar o dinheiro para você). Do outro lado, se seus fornecedores recebem à vista ou com prazo curto (o que é comum para empresas novas, ainda sem crédito), você terá que sustentar a operação até que as coisas comecem a andar.

Mesmo depois que as coisas começarem a andar, se você vende com prazos de recebimento muito longos e paga com prazos curtos, o risco de falta de dinheiro é enorme. Então, você deve ter essas contas na ponta do lápis, todos os dias.

O melhor método de pagamento é a transferência/depósito bancário. Você recebe à vista, logo depois do pedido, e não tem taxas por isso. O único custo é o trabalho de verificar o pagamento e liberar no sistema. Se você tomar cuidado com envelopes vazios depositados em caixas eletrônicos ou comprovantes falsos, dificilmente terá problemas com isso. Porém, esse método presume que o cliente confia em você, normalmente já conhece sua empresa, e que tem o dinheiro disponível à vista, além de ter uma conta no mesmo banco ou facilidade para o depósito. Por conta disso, esse método será o menos usado.

Depois desse, o pagamento na entrega também tem as mesmas vantagens. O risco é que o entregador seja assaltado, mas será pequeno se você não vender produtos que custem muito caro, isto é, que seu entregador não ande com muito dinheiro.

Na sequência, a transferência bancária, os cartões de débito e o boleto bancário também são rápidos de receber, entre 2 e 4 dias, na média. Os custos são relativamente baixos, normalmente um valor fixo por transação. Nesses casos, também não é permitido parcelamento, ou seja, o dinheiro entra à vista.

Pra completar, os cartões de crédito são os mais problemáticos quando se fala da programação financeira. Se você vender em uma parcela no cartão, receberá esse valor entre 14 e 28 dias depois da aprovação, conforme a empresa que estiver utilizando para processar o pagamento. Nessa situação, você já terá que manter uma reserva, que preveja essa diferença entre a entrega do produto e o recebimento. A pior situação é aquela em que o cliente compra com um prazo longo de parcelamento (e longo aqui podem ser apenas 6 meses). Além de bancar as taxas, você ainda terá que ver o dinheiro entrando pingado em sua conta.

Meios de pagamento em lojas virtuais – parte 1/4

Este tutorial é destinado a apresentar os principais pontos no que se refere aos meios de pagamento em uma loja virtual e está dividido em quatro partes. Você também pode buscar outros artigos sobre meios de pagamento aqui no blog.

Costumo dizer que os meios de pagamento são a parte mais crítica de uma loja virtual. Se o visual não for adequado ao público, sua loja poderá vender. Se os produtos estiverem desorganizados, sua loja poderá vender. Se você não tiver os melhores meios de entrega, apenas um que funcione já permitirá as vendas. Mas se os meios de pagamento estiverem com problemas, sua loja virtual terá sérios problemas.

Essa afirmação está diretamente relacionado ao fato de que o meio de pagamento é a parte em que o consumidor normalmente mais tem receios. Basta ver o fato de que o boleto bancário segue sendo um dos métodos mais utilizados, pois o consumidor ainda não se sente totalmente seguro em informar os dados do cartão de crédito em uma loja desconhecida. Se ele acreditar que há algo errado com o método de pagamento, há grandes chances de a venda não ser concluída.

Mas com um pouco de cuidado, estudo e análise, é possível que sua loja ofereça os meios de pagamento adequados a cada um de seus públicos e que possa usar essas escolhas como um fator de força em sua loja virtual, casando as melhores taxas e os melhores prazos para recebimento.

Esse tutorial está dividido em quatro artigos e conta com 8 tópicos: Conceitos de meios de pagamento e Tipos de meios de pagamento; Métodos a oferecer a seus clientes e Programação financeira; Contratação dos meios de pagamento e Implantação na loja virtual, e por fim, Recebimento dos valores e Gestão de fraudes.

Dinheiro - Adam Gault/Digital Vision

1) Conceitos de meios de pagamento

O que é um meio de pagamento? De um modo simples, é o método que seu cliente utilizará para fazer um pagamento por algo que ele comprou em sua loja virtual. A menos que o valor do pedido seja igual a zero, um meio de pagamento será sempre necessário para completar um pedido, isto é, para transformá-lo de um simples carrinho de compras em um pedido. Existem basicamente dois tipos de meios de pagamento: online e offline. Esses ainda podem se dividir conforme o método de cobrança (direto ou via terceiros), o prazo de recebimento (imediato, curto ou longo) e ainda a possibilidade de parcelamento.

Todos esses detalhes precisam estar frescos em sua mente na hora de definir quais métodos de pagamento serão oferecidos em sua loja virtual. Você deve avaliar as opções sob duas perspectivas. A primeira e principal é a de seu consumidor. É preciso pensar em que métodos de pagamento seus clientes estão acostumados a usar e o quanto dependem deles. Por exemplo, se seus clientes sempre pagam com boleto bancário, você não poderá deixar de oferecer essa opção.

Se seus produtos têm um valor mais alto e isso impede que sejam comprados à vista, é preciso pensar no parcelamento, em qual o valor da parcela que cabe no bolso do cliente. Se seu público depende de métodos considerados alternativos, como vale-alimentação, é preciso levar isso em conta e oferecer esses métodos. A pergunta que você deve responder é: que métodos de pagamento meus clientes querem utilizar em suas compras?

Mas não basta olhar apenas na perspectiva do cliente ou sua empresa será uma séria candidata à falência. Conforme sua escolha para processar os cartões de crédito, as taxas vão variar de algo em torno de 2% a algo em torno de 8%, o que pode ser um fator agravante em operações com pouco giro, lojas que vendem pouco e portanto não conseguirão diluir seus custos no preço dos produtos. Além disso, se seus clientes pagam parcelado, esse dinheiro entrará também parcelado em seu caixa ou você terá que pagar juros altíssimos para ter esse valor à vista.

Na hora de escolher seus meios de pagamento, tenha seus custos já planilhados e definidos, para entender certinho quais suas possibilidades em relação ao custo das transações (o custo do meio de pagamento, efetivamente) e a relação entre a data em que você paga seus fornecedores e a data em que recebe de seus clientes.

2) Tipos de meios de pagamento

A primeira separação a ser levada em conta em relação aos meios de pagamento está relacionada ao fato de eles serem online ou offline:

  • Online: todo o procedimento de pagamento e confirmação se dá de modo online, automatizado. Por exemplo, o cliente escolhe pagar com cartão de crédito, informa os dados do cartão escolhido e clica em Finalizar. Depois disso, a empresa que processa o pagamento automaticamente envia uma confirmação para o sistema da loja virtual, que libera o pedido.
  • Offline: parte do processo de pagamento ou confirmação se dá de modo offline, necessitando da atuação de uma pessoa, normalmente um funcionário da empresa. Por exemplo, um cliente escolhe pagar com boleto bancário e clica em Finalizar. Ele paga o boleto (onde desejar, via smartphone, internet banking, caixa do banco, o pagamento em si não importa para a loja virtual). No dia seguinte ao pagamento, o funcionário acessa o site do banco e verifica se o boleto foi pago (normalmente, há uma entrada no extrato ou no gestor de boletos, informando o valor e o número do pedido). Em seguida, manualmente ele pode informar o pagamento no painel da loja virtual e dar sequência no pedido. O pagamento na entrega do pedido também está nessa categoria.

A mesma forma de pagamento pode ser construída como online ou como offline, conforme o sistema da loja virtual. Conforme o caso, mesmo o boleto pode ser verificado automaticamente. Da mesma forma, cartões de crédito podem não ser atualizados de maneira automática, necessitando da intervenção do lojista para liberar o pedido manualmente. Quanto mais métodos online você tiver, melhor será a gestão de sua loja virtual, mas não se prenda a isso.

A segunda possibilidade é a divisão entre processar os pagamentos diretamente ou valer-se de terceiros. Para isso, é preciso entender o conceito de facilitador de pagamentos: ele é a empresa que cuida de fazer as cobranças e processar os pagamentos no lugar do vendedor original. O consumidor não faz o pagamento à loja onde ele compra os produtos e sim à essa empresa.

Isso se dá basicamente pela facilidade de oferecer um número abrangente de bandeiras, mesmo as menores, em um só lugar e com uma única integração. Também é muito utilizado por pessoas que ainda estão testando o mercado e não têm uma empresa formalmente constituída.

  • Diretamente: o processamento dos pagamentos é feito por empresas contratadas, em nome da empresa vendedora. O consumidor paga diretamente ao lojista, ainda que isso seja feito através de uma instituição. Por exemplo, um cartão de crédito processado pela Rede ou Cielo; um boleto bancário emitido pelo banco onde a empresa tem conta corrente; um depósito bancário.
  • Terceiros: uma empresa diferente da vendedora é a responsável pela cobrança e repassa o dinheiro para o lojista, depois de um determinado número de dias. Essa empresa é o facilitador de pagamentos, que cuida da cobrança e, conforme o contrato, garante o recebimento. Por exemplo, um cartão de crédito processador pelo PagSeguro ou Moip; um boleto bancário emitido pelo Bcash; uma transferência bancária feita via Gerencianet.

Pela facilidade oferecida pelos facilitadores, o lojista paga um valor adicional ao que teria em relação às conexões diretas. Ainda que esse valor tenha variado muito nos últimos anos e em alguns casos específicos possa ser até mais barato, na maioria dos casos um lojista paga a um facilitador o dobro do que pagaria processando diretamente o pagamento. Portanto, cada caso é um caso e veremos melhor as opções nos próximos passos desse tutorial.

Intimamente relacionada a esse tópico, está a possibilidade de parcelamento. Normalmente, os facilitadores oferecem longos prazos de parcelamento aos clientes, podendo até mesmo chegar a 24 vezes, o que costuma ser mais difícil de conseguir para lojistas iniciantes, com pouco relacionamento com as empresas de processamento de pagamentos. Ainda assim, o grande ponto a avaliar aqui é a cobrança de juros e a forma como esse dinheiro entra no caixa da empresa.

Se você oferecer parcelamentos longos a seus consumidores, sem a cobrança de juros, deverá esperar o mesmo prazo ofertado para receber esse dinheiro. Se não puder esperar, as operadoras darão a possibilidade de receber esse dinheiro á vista, descontando os juros. Essa opção equivale a fazer um empréstimo bancário, o que significa que os custos exorbitantes podem facilmente quebrar uma empresa. Ainda que seus concorrentes ofereçam a opção de parcelamento e que você sinta que seu cliente não compra por causa disso, esteja muito atento e avalie todas as suas opções minuciosamente antes de oferecer o parcelamento.

A última questão a avaliar nesse tópico é a forma como você receberá o dinheiro, no caso dos pagamentos à vista:

  • Imediato: o dinheiro está disponível imediatamente para uso. Normalmente, são três casos que permitem isso, a trasnferência bancária, o depósito em conta ou pagamento na entrega. O dois primeiros são feitos antes do envio do produto e você já terá o dinheiro liberado, sem a necessidade de esperar. O pagamento na entrega normalmente é permitido em entregas locais, o que se traduz em dinheiro no caixa no mesmo dia da entrega (e normalmente em no máximo um dia depois do pedido).
  • Curto prazo: essa opção, para mim, refere-se ao dinheiro disponível na mesma semana do pedido feito e está intimamente relacionada aos cartões de débito e ao boleto bancário, de sua conta corrente, sem nenhum terceiro como processador. O pagamento feito com boleto bancário costuma estar disponível para utilização no segundo dia útil após o pagamento. Se o cliente pagar numa quarta-feira (antes das 21h), você verá a confirmação do pagamento na quinta-feira pela manhã e poderá usar o dinheiro na sexta-feira pela manhã. Esses prazos podem variar de banco para banco e conforme seu relacionamento com eles.
  • Longo prazo: é o dinheiro que estará disponível em um período maior que 7 dias. Esse prazo varia muito entre as opções, podendo ser de 14 dias (o mais comum entre os facilitadores) e 28 dias (cartões de crédito processados diretamente) – ou ainda em vários meses, nocaso de parcelamento direto com a loja.

Ainda que seja muito mais fácil falar do que colocar isso na prática, o cenário ideal é uma mescla disso tudo, já que não é possível ter os métodos de pagamento com menor custo, recebendo no menor prazo e com maior aceitação entre o público. Procure equilibrar seus recebimentos de modo que você não se veja com a maioria esmagadora de seus clientes pagando com cartão de crédito (e pior ainda, parcelado em longos prazos). Se não há saída, você precisa ter isso na ponta do lápis, ou melhor, do fluxo de caixa.