Resenha: Empreendedorismo, Transformando Ideias em Plano de Negócios

Empreendedorismo, José Dornelas - imagem: SubmarinoEsse é um dos livros que já deveria ter comprado há tempos e sempre acabei postergando, comprando outros livros de empreendedorismo (muitos do próprio Dornelas). Pois há alguns meses, finalmente me obriguei a comprá-lo, como parte do projeto de um novo livro que estou escrevendo e que depois de dois anos de trabalho, devo lançar no primeiro semestre de 2016. Depois de lido, posso dizer: o livro é completo e um ótimo guia para quem já tem uma base em empreendedorismo.

José Dornelas é um dos maiores autores sobre empreendedorismo no Brasil e lançou vários trabalhos, para diferentes públicos. O livro Empreendedorismo, Transformando Ideias em Negócios é um manual técnico de como montar seu plano de negócios e preparar sua empresa para o difícil caminho que toda organização tem em nosso país.

Neste livro, ele começa com um abordagem histórica sobre o empreendedorismo e de como ele entrou em nosso dia-a-dia, antes de dedicar dois capítulos à análise de oportunidades, coisa esquecida pelos marinheiros de primeira viagem, que pensam que toda ideia pode ser convertida em um negócio de sucesso.

Apenas no quarto capítulo, o autor inicia a discussão sobre como trabalhar o plano de negócios propriamente dito, abordando cada uma de suas partes e explicando como construi-las. O último capítulo fala da parte legal de como se abrir uma empresa – ainda que esteja longe de esgotar o assunto, o que daria outro livro completo, é possível ter uma visão geral das possibilidades, útil para quem não tem essas informações na ponta da língua.

Outro detalhe interessante é que o livro pode ser usado como base para cursos, com questões para discussão no final de cada capítulo. Estudos de caso também estão espalhados pelo conteúdo, trazendo situações reais de empresas e empreendedores.

Sua empresa está pronta para ter uma loja virtual?

Tempos de crise, muitas empresas buscando soluções para ganhar mais dinheiro (ou seria para manter o faturamento estável em épocas de tendência de queda?) e para gastar menos, cortando onde é possível. Não apenas as empresas: muitas pessoas perdem seus empregos ou com a renda menor, pensam em atividades que possam salvá-las dessa situação. De repente, deparam-se com reportagens ou amigos dizendo que o comércio eletrônico não para de crescer e que é possível abrir uma loja virtual sem saber nada ou sem gastar nada, com menos de mil reais.

Pronto para abrir uma loja virtual - imagem: W2 Photography

Realmente, abrir uma loja virtual normalmente custa menos que montar um ponto físico. Realmente, o e-commerce vem crescendo mais que os outros “mercados”. Só, são as duas únicas verdades nesse emaranhado de  informações sobre a nova fronteira do mercado e se você não se preparar tão bem como se prepararia para uma empresa tradicional, daqui a um ou dois anos apenas engrossará as estatísticas de empresas que faliram.

Não, não tenha o negativismo em mente, não pense que tudo vai dar errado e que você não deve abrir sua loja virtual. Apenas não acredite em tudo que você lê e lembre-se de que abrir uma loja virtual dá tanto trabalho quando abrir um ponto físico e envolve planejamento e recursos. Então, antes de abrir sua loja virtual, tenha em mente os seguintes pontos:

  • O planejamento é o mesmo

Não é porque o seu negócio não tem um ponto físico, com portas abertas, ou porque tem muito mais flexibilidade que uma loja que você não precisa ter um planejamento. Certo, fazer um plano de negócios dá trabalho e cansa, especialmente se você não tiver experiência. Mas há opções como o Canvas Business Model, onde você pode desenhar o negócio, ou até mesmo a possibilidade de fazer um rascunho básico. Só não deixe de fazer um planejamento.

  • Você deve conhecer o mercado em que vai atuar

Você nunca trabalhou na área e vai vender aquele produto apenas porque “ouviu falar que é um bom mercado”? Pare e reflita: você compraria algo de alguém que não conhece o produto? Se sim, pagaria o maior valor ou aceitaria o risco apenas se o preço fosse realmente competitivo? Antes de começar a vender, conheça seu produto e investigue o mercado, para que você tenha reais condições de competir.

  • Os custos com a loja virtual não são baratos

É possível começar uma loja virtual sem gastar nada ou pagando pouco por mês. Há empresas dando lojas virtuais de graça, com restrição de produtos ou em troca de comissões sobre as vendas. Há empresas cobrando tão pouco quanto 30 reais por mês para que você tenha a plataforma. Primeiro reflita: 30 reais por mês significa que você terá a estrutura básica, onde você colocará todos os produtos, sem suporte, sem funcionalidades adicionais. Essa loja será a básica para você começar e isso é ótimo, pois você pode testar o mercado gastando pouco.

Assim que você começar a crescer, a coisa muda de figura e é preciso investir. Provavelmente chegará um ponto em que você ainda não tem faturamento suficiente mas já precisa de um plataforma mais robusta, o que demandará investimentos. Algumas vezes, você vai querer montar uma loja virtual maior desde o começo e perceberá que ela pode sair tão caro quanto um ponto físico. Resumo: você pode começar gastando pouco, mas não deve esperar grandes coisas com isso.

  • Você deve formalizar sua empresa

Sou um dos que mais questiona a situação fiscal brasileira e o fato de desde a gestação, uma empresa já conta com uma série de sócios ocultos, que levam parte de seu caixa. O maior deles é o governo, que toma dos empresários e não devolve quase nada, já que somos obrigados a pagar por todos os serviços novamente. Isso não quer dizer que você deve trabalhar de maneia informal, até mesmo porque uma loja virtual envolve circulação de mercadorias, que precisam da nota fiscal.

Você pode começar de maneira informal mas correrá riscos desnecessários e não conseguirá crescer se não formalizar sua empresa. Um economista disse uma vez em uma palestra que “não existem edifícios em áreas invadidas” e será mais ou menos essa a sua situação.

  • É preciso investir muito mais em marketing

Mito 1: em poucos dias, estarei na primeira página do Google. Mito 2: basta estar na primeira página do Google para ser milionário. Quebrando o mito 1: leva-se muito tempo e muito trabalho para chegar à primeira página do Google. Quebrando o mito 2: tenho alguns clientes que estão na primeira página do Google para seus principais termos de busca e não estão milionários. Este blog mesmo está na primeira página do Google para diversas palavras e não estou milionário.

Sua loja virtual não é conhecida por ninguém e se ninguém conhece, ninguém compra. É preciso investir muito mais em publicidade para trazer clientes para sua loja virtual e você deve estar preparado para se manter por pelo menos um ano. Verdade seja dita: um ponto positivo é que a publicidade na internet é muito mais focada e, com um trabalho bem feito, você conseguirá trazer clientes ao invés de visitantes.

  • Se você tem um negócio físico, ter uma loja virtual não é a “mesma coisa”

Último ponto: se você acha que só porque tem uma loja física há 30 anos e ela é conceituada e conhecida, quando você abrir sua loja virtual, herdará todo o sucesso. Bobagem, você terá que começar novamente no online. Ah, online é totalmente diferente do offline e, portanto, você terá que aprender tudo de novo…

Cuidando do planejamento pro novo ano

Planejamento - imagem: Norbert HuettermannComeçando mais um ano, o sexto novo ano desse blog, e começo a ficar sem assunto para o mês de janeiro. Já falei várias vezes sobre planejamento e preparação para um novo negócio ou para um novo ano e sinto que começo a me repetir. Ainda assim, não dá pra começar esse novo ano sem falar de planejamento. É preciso seguir batendo na mente de meus leitores para que eles tenham a preparação como um mantra a seguir antes de fazer qualquer coisa.

Acredito que quando o brasileiro aprender a planejar, esse país poderá enfim ser um país melhor. Percebam que a imensa maioria dos nossos problemas se dá pelo fato de que não somos um povo precavido. Ainda penso que essa característica seja uma herança de todo um século XX, em que o país passou por sérias transformações, muito rapidamente, sem que se pudesse dar tempo ao planejamento. As coisas aconteciam de maneira tão veloz, que quem parasse para planejar ficava para trás.

Somado a isso, tivemos anos de inflação galopante e dinheiro perdendo valor diariamente, fazendo com que qualquer cenário projetado caísse por terra em pouco tempo. Planejamento de longo prazo – um, dois, cinco, dez anos – eram impossíveis e passavam a ideia de tempo jogado na lata do lixo. Ainda acredito que isso influencie nossa capacidade de planejar, mas já é tempo de largarmos essa característica ruim e assumirmos de uma vez por todas o controle de nossas carreiras e empresas, para de fato sermos vitoriosos.

Um bom exemplo é como estamos reagindo a essa crise. Entendo que não havia muita margem de manobra, afinal estamos no mesmo barco e temos pouca flexibilidade de mudar as decisões dos comandantes. Porém, todos  nós sabíamos já em 2013 que a coisa ia desandar e que o momento era de cautela. Ainda assim, vi muita gente gastando o que não tinha e se lançando em projetos aventureiros, que certamente fracassaram. Agora, com o leite derramado, não há outra opção que não seja baixar a cabeça e trabalhar em dobro, para sair dela.

Independente da sua situação, você pode se preparar para esse novo ano e fazer a coisa direito. Não precisa parar tudo ao melhor estilo de “para o mundo que eu quero descer”, não é isso. Planejamento e preparação se fazem em paralelo com nossos projetos atuais. Siga o que você está fazendo mas ao mesmo tempo, comece a pensar o que precisa ser mudado.

Pense onde você quer chegar, o que você quer ter, o que você quer ser. Você é empregado e quer empreender? Comece a estudar o mercado e ver quais são suas alternativas, quais mercados são promissores, o que você precisa saber para entrar nesse mercado. O maior erro dos candidatos a empreendedores é achar que basta pedir as contas, pegar o Fundo de Garantia e abrir uma empresa. Essa é a forma mais rápida de quebrar e torrar todo um dinheiro que poderia ser melhor empregado.

Aqui posso fazer uma confissão: quando um cliente quer abrir uma loja, fazemos uma revisão do planejamento e um estudo simplificado de mercado. Algumas vezes encontro algumas falhas e as aponto, bem como possíveis soluções. Porém a decisão final é sempre do cliente e se ele vem com uma ideia muito fixa, eu não rebato. Não é meu papel destruir sonhos, até mesmo porque eu mesmo posso não estar vendo a oportunidade. A maioria das pessoas vai seguir a mesma filosofia que eu sigo e portanto, o único responsável por construir e desconstruir seus sonhos e planos é você.

Você é empresário e precisa dar um rumo para sua empresa? “Não tenha medo” é a primeira coisa a saber. Quem tem medo não serve pra empreendedor. Não, empreendedor não é o destemido que faz as coisas a qualquer custo, mas aquele que sabe trabalhar com o medo e se cercar de alternativas para quando as coisas derem errado. As coisas estão afundando? É hora de perder o medo e encarar as soluções possíveis, mesmo que elas pareçam loucura aos olhos dos outros. Seu papel é fazer com que essa loucura tenha fundamento e gere algo concreto e de sucesso.

Depois disso, faça a mesma coisa que disse antes. Onde você quer chegar, o que você precisa fazer para chegar lá? Há muitos funcionários, veja como reduzir a folha de pagamento. Os fornecedores estão cobrando caro? Veja como melhorar sua relação com eles ou substituí-los. Onde estão novos clientes em potencial? Como atingi-los? São perguntas que se somam a tantas outras que fiz em outros posts de planejamento nesse blog.

O importante de tudo é: “deixa a vida me levar” pode até combinar com uma seleção de futebol. Só que aí, você deixa de estar no comando e quem define seus rumos é o acaso. O acaso pode colocar a Alemanha em seu caminho e aí sabemos bem o que pode acontecer. Bom planejamento e bom 2016 a todos.

 

Resenha: Empreendedorismo, Elabore seu Plano de Negócio e Faça a Diferença

Estou trabalhando em um novo livro sobre lojas virtuais, que espero lançar no começo de 2016, depois de três atrasos (sempre meus, já que pra escrever é preciso conhecimento, inspiração e dedicação e muitas vezes falta um deles ou os três). Conhecimento, busco em várias fontes, entre elas, livros sobre o assunto. Não tem muita coisa escrita sobre lojas virtuais e boa parte da minha pesquisa se baseou em livros sobre empreendedorismo.

Livro Empreendedorismo, por Marcelo Nakagawa - imagem: Submarino/Reprodução

Um deles foi “Empreendedorismo – Elabore seu plano de negócio e faça a diferença”, de Marcelo Nakagawa, editado pelo Senac. É interessante que comprei o livro atraído por um “jogo de cartas que o acompanhava” e se fosse olhar apenas por isso, teria ficado desapontado. O jogo de cartas é uma série de 15 cartas que apresentam os passos para se montar um plano de  negócios. Ou seja, não é um jogo em si, algo lúdico para orientar o desenvolvimento enquanto se joga, mas sim um conjunto de fichas, a serem seguidas (ou, segundo o autor, cartas para montar sua pirâmide de cartas).

Dito isso, minha avaliação geral do livro é bem positiva. O autor passa pelas principais etapas do processo de estruturar uma empresa, abordando de forma clara cada uma delas e trazendo exemplos concretos, de como outras empresas resolveram determinados problemas. Antes de entrar no assunto plano de negócios propriamente dito, apresenta assuntos transversais, como Oceano Azul, Business Model Canvas e a prototipagem, trazendo um ar fresco ao assunto.

Curiosamente, ainda que o jogo de cartas no fim do livro não seja propriamente um jogo, há brincadeiras ao longo do texto, como um Bingo das Tendências, para auxiliar na identificação de tendências de mercado. O projeto gráfico também é muito feliz, com um visual leve, leitura fácil e muitas imagens e gráficos, explicando visualmente os processos adotados e o que o autor quis dizer.

O livro “Empreendedorismo – Elabore seu plano de negócio e faça a diferença” não é muito fácil de encontrar  e seguidamente está disponível sob encomenda. Normalmente, ele está à venda no Submarino, seja pela rede principal, seja por um vendedor do marketplace.

Resenhas de livros aqui no blog

Livros - imagem: Dougal Waters/Digital VisionNesses cinco anos de blog, resenhei diversos livros (ok, gostaria de ter resenhado mais) sobre administração e empreendedorismo. São livros que podem ajudar você a montar sua loja virtual mas principalmente a ter uma empresa melhor. Todos sabem o quanto defendo a leitura pois é uma das principais fontes de conhecimento e motor para transformação de uma sociedade (algumas vezes para o mal, muitas vezes para o bem).

Para facilitar a vida dos recém-chegados, resolvi fazer uma compilação com todos os livros que já resenhei por aqui. Os posts estão em ordem do mais antigo pro mais novo. Bom divertimento!

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Ideias versus oportunidades

“Tenho uma ideia maravilhosa, algo que vai revolucionar o mundo, uma oportunidade única”, diz o empreendedor. Ele não sabe mas há algumas incoerências em sua frase. Há muita confusão entre ideia e oportunidade. Não, elas não significam a mesma coisa. Você sabe a diferença entre uma ideia e uma oportunidade?Ideias versus Oportunidades - imagem: Andrew Brookes

Na maioria das vezes, quando alguém pensa que está diante de uma chance para fazer negócios e ganhar dinheiro, ele está diante apenas de uma ideia e não de uma oportunidade. Pior, talvez ele não esteja sequer na frente de uma ideia mas de uma simples ilusão.

Uma ideia precisa trazer mudanças, precisa fazer algo novo, introduzir uma diferença no modo como algo é feito, como uma empresa trabalha. Thomas Edison teve uma ideia, queria construir uma nova forma de iluminar nossas casas, livrando-se do transtorno de ter que acender velas e proporcionar uma fonte mais forte de luz. Naquele momento, ele ainda não tinha uma oportunidade, talvez nem uma ideia, apenas um sonho a caminho de se realizar…

Diz a história que ainda levou muito tempo até que ele pudesse apenas concretizar aquela ideia, inventando a lâmpada elétrica. Quando isso aconteceu, ele passou a ter a ideia de fato, tinha a lâmpada elétrica na mão e podia pensar em expandir aquela ideia para o mundo todo. É, naquele momento, ele tinha apenas a ideia, ainda não tinha a oportunidade.

A oportunidade só aparece quando se pode criar um mercado e recuperar o investimento. Em palavras feias, se você não pode faturar em cima daquela ideia, ela não é uma oportunidade, será apenas uma simples ideia, um sonho condenado a não se transformar em realidade.

Para que ela seja uma oportunidade, a ideia precisa ser viável. Para confirmar essa premissa, é preciso olhar diversos fatores:

  • você consegue realizar essa ideia? Existem recursos para que essa ideia se transforme em realidade, seja produzida ou entregue aos clientes? Todos temos ideias de viagens ao espaço mas conseguimos produzir um foguete com a tecnologia que temos à nossa disposição?
  • a ideia pode ser atingida com recursos que cabem  no bolso? O capital e os recursos humanos que estão ao alcance são suficientes para construir e entregar os produtos e serviços? E depois disso, o valor pago pelos clientes será suficiente para cobrir os custos e ainda retornar o investimento?
  • as pessoas estão prontas para seu produto ou serviço? Se você tiver um produto que não desperte o interesse nas pessoas, de que adiantará? Você se lembra do Apple Newton, o smartphone lançado pela Apple no começo da década de 1990?
  • e por último e mais importante, as pessoas querem o seu produto e estão dispostas a pagar pelo preço solicitado? Se não estiverem, você terá apenas uma ideia condenada ao fracasso.

Se Thomas Edison tivesse a lâmpada elétrica mas ele fosse muito cara para as pessoas, talvez nem mesmo os ricos pudessem comprá-la. E o que seria da lâmpada elétrica se não houvesse eletricidade? Ou se ela explodisse na cabeça das pessoas? E se as pessoas gostassem das velas em suas mesas?

A lâmpada de Edison só virou uma oportunidade porque diversos fatores trabalharam para que isso acontecesse e ela fosse o sucesso que foi. Talvez possamos dizer que a nossa sociedade mudou com ela, já que nos permitiu ter uma vida noturna muito mais intensa, com a claridade que trouxe às nossas casas.

E a sua ideia é uma oportunidade? Se ela não tem mercado, se é inviável economicamente ou se chegou antes do tempo, a única coisa que tem é uma boa ideia, à espera de seu momento. Então, na próxima vez que disser que tem uma oportunidade única ou uma ideia maravilhosa, lembre-se de respeitar essas duas palavras tão importantes na vida de um empreendedor.